Pavão.

Carmona viveu poucos anos à sombra da monumental parede cor-de-rosa, erguida para o comemorar, no extremo norte do jardim do Campo Grande. Não que a vista fosse muito interessante, virado como estava para o viaduto da Segunda Circular, com a Churrasqueira logo em frente, mas seguir-se-lhe-ia muito pior.

Estátua de Marechal Carmona na sua colocação original. Estrutura onde estivera a estátua de Carmona, pouco antes da sua demolição.

Inaugurado em finais de 1970, foi removido por uma comissão de trabalhadores da CML apenas dois dias após o 25 de Abril de 1974. Transportaram-no para um depósito, um armazém escuro e desagradável onde teria de competir pelo espaço com outras esculturas e mobiliário urbano diverso.

20 anos mais tarde foi visitado por Fernando Pessa, no decurso de uma reportagem sobre a parede e o plinto vazio que inexplicavelmente continuavam no mesmo sítio. Já então a CML estaria a averiguar como voltar a colocar a estátua no Campo Grande, mas num “enquadramento diferente”, mais apropriado ao clima político da altura. Boas notícias para Carmona, a quem a penumbra bafienta do armazém já causava reumatismo.

Passariam, no entanto, mais três anos até que a Câmara se decidisse a transportá-lo para o Museu da Cidade, colocando-o num canto do jardim, atrás do Pavilhão Branco. Desprovido de plinto e de enquadramento monumental, protegido do sol da tarde pelo arvoredo, Carmona passa a sua reforma tranquilamente na companhia dos pavões.

É um interesseiro… vem falar comigo quando precisa que lhe limpem o cocó de pavão dos pés! Busto de Joviano conversa com escultura de sereia no jardim do Museu da Cidade.
 Estátua de Carmona com pavoa a bicar-lhe os pés.

A parede foi demolida assim que se encontrou nova casa para Carmona, mas não se podia deixar aquele canto do jardim sem uma qualquer presença monumental que assinalasse o passado glorioso da nação. Trouxeram-se, então, dos Paços do Concelho, duas peças de Leopoldo de Almeida, escultor prolífico do regime fascista e o mesmo que imortalizara Carmona.

Escultura de D. Afonso Henriques. Escultura de D. João I.

D. Afonso Henriques e D. João I lá permanecem, sem polémica, até hoje.

Carmona no jardim do Museu da Cidade, de costas, visto do exterior do jardim.
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