Quando a Praça do Império foi transformada em praia, decidiu-se remover também o monumento aos descobrimentos. A proposta de demolição causou tal histeria, choradeira e queixume que, numa tentativa de apaziguar as pessoas demasiado apegadas ao volumoso mamarracho, se resolveu reaproveitar o conjunto escultórico, colocando-o num local que neutralizasse as suas características monumentais, aproximando-o da escala humana e permitindo novos tipos de interacção.

Tratando-se de uma construção de 1960, pensou-se apropriado localizar o novo não-monumento nos terrenos baldios adjacentes à freguesia da Brandoa, que começou precisamente nesse ano o processo de expansão que a levaria, no final da década, a merecer a ínclita qualificação de maior bairro clandestino da Europa. Mais apropriado ainda porque a expansão da Brandoa também foi causada por uma viagem: a partida à descoberta dos grandes centros urbanos que foi o êxodo rural.

Esculturas do Monumento aos Descobrimentos no campo. Moínhos em ruínas ao fundo. Voltar à página inicial